Governo federal reconhece emergência por enchente que afeta mais de 6 mil em município do AC
05/02/2026
(Foto: Reprodução) Cheia do Rio Juruá em 2026, no município de Cruzeiro do Sul
Édson Fernandes/Arquivo pessoal
O governo federal reconheceu, nesta quinta-feira (5), a situação de emergência devido à cheia do Rio Juruá, em Cruzeiro do Sul, no interior do Acre. A medida foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) pela Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil.
A decisão tem como base um decreto de 26 de janeiro, assinado pelo prefeito Zequinha Lima (PP), que classificou o cenário como 'Situação de Emergência Nível II' devido à magnitude dos danos e à incapacidade do município de lidar sozinho com os prejuízos causados pela cheia.
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Com o reconhecimento federal, o município passa a ter acesso facilitado a recursos da União para ações de resposta e assistência, como ajuda humanitária, recuperação de áreas afetadas e apoio logístico. Já são seis municípios acreanos com a emergência reconhecida: Rio Branco, Feijó, Plácido de Castro, Porto Acre, Santa Rosa do Purus e Tarauacá.
Cheia do Rio Juruá deixou famílias atingidas em Cruzeiro do Sul
Nesta quinta, o nível do manancial atingiu a marca de 13,44 metros, 44 centímetros acima da cota de transbordo, que é de 13 metros, segundo a Defesa Civil Municipal. "Estamos sem famílias em abrigo", resumiu o coordenador de desastres municipal, Iranilson Neri.
Na região, pelo menos 11 bairros seguem impactados, além de 12 comunidades rurais, e outros rios do município, como Croa, Juruá-Mirim e Valparaíso, também apresentam elevação. Entre as áreas atingidas estão bairros urbanos como Várzea, Lagoa, Beira Rio, São Salvador, Saboeiro, Manoel Terças, Cobal, Remanso, Miritizal e Cruzeirinho Novo.
"O rio está baixando no interior, e nas próximas horas, a previsão é que baixa em Cruzeiro do Sul, também", disse o coordenador da Defesa Civil de Cruzeiro do Sul, Edimilson Damasceno Junior.
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De acordo com a concessionária Energisa, 26 residências estão com a energia desligada devido ao risco de acidentes devido à subida das águas, e o serviço será reestabelecido quando não houver mais perigo. As casas estão localizadas no Centro, bairro da Lagoa, além dos ramais Boca do Moa e Seringal Florianópolis.
Mais de 6 mil afetados
Ainda segundo a Defesa Civil Municipal, a cheia do Rio Juruá já afetou aproximadamente 6,6 mil pessoas. Deste total, ao menos 139 famílias ficaram sem acesso à água potável.
"A Defesa Civil está distribuindo água aos moradores. A água está chegando nas torneiras, contudo, a encanação vem da terra, assim, o risco de contaminação é muito grande", acrescentou Junior.
A dona de casa Antônia das Dores é uma das pessoas preocupadas com a situação ."Não é todo ano que transborda para a gente sair, mas a rua fica alagada e ninguém consegue passar", disse.
Decreto de emergência
O decreto publicado pelo municípeio, tem duração d 180 dias e autoriza a mobilização total da Defesa Civil, dispensa de licitação e ações emergenciais para atender famílias atingidas pela cheia do Rio Juruá.
"A quebra da situação de normalidade e da rotina das famílias atingidas pela inundação, bem como os impactos negativos causados no sistema de transporte, na saúde pública e na segurança global, afetam a integridade e a incolumidade da população", dizia o documento.
À época, a prefeitura municipal também destacou que os índices pluviométricos indicavam um aumento das chuvas nos dias seguintes, o que poderia o risco de agravamento do cenário. A situação de emergência poderá ser reavaliada a qualquer momento.
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