Servidores são suspeitos de vender vagas na fila da rede pública de saúde
07/04/2026
(Foto: Reprodução) Servidores são suspeitos de vender vagas na fila da rede pública de saúde
Vinte e quatro servidores são suspeitos de vender vagas na fila do Sistema Único de Saúde (SUS) em operação da Polícia Civil nesta terça-feira (7). A investigação da TV Anhanguera apurou que os suspeitos recebiam entre R$ 1.200 e R$ 5 mil para burlar a fila de cirurgias, exames e consultas. Segundo o delegado do caso, Danilo Victor, a maioria dos investigados são vinculados a cargos comissionados (assista acima).
O g1 não localizou a defesa dos servidores. A Polícia Civil cumpriu 52 mandados, entre 6 de prisão temporária e 24 quebras de sigilos bancário e fiscal. A operação “Mercancia Torpe” foi realizada pela Delegacia Estadual de Combate à Corrupção (Deccor).
Os mandados foram cumpridos em Goiânia, Goianira, Aparecida de Goiânia, Senador Canedo, Corumbá de Goiás, Catalão, Cromínia, Cristianópolis, São Luiz do Norte e Maripotaba. A reportagem pediu um posicionamento para todas as prefeituras. Porém, algumas cidades ainda não responderam (veja os retornos abaixo).
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Ao g1, a Secretaria de Estado da Saúde informou que a identificação das irregularidades ocorreu a partir do monitoramento contínuo do sistema de regulação realizado pela secretaria e destacou que está contribuindo de forma ativa com as investigações (veja nota completa abaixo).
Os investigados vão responder pelos crimes de falsidade ideológica, inserção de dados falsos em sistema de informação, corrupção passiva, corrupção ativa e associação criminosa. As condutas investigadas sobrecarregavam o sistema, pois priorizavam os registros de pacientes que pagavam pela inserção.
“Há sobrecarga no sistema. Se muitas pessoas estão inseridas de forma indevida por meio de pagamento, esse tempo de espera vai se alongar. As pessoas que estão ali de forma regular são pessoas humildes que esperando um atendimento que nunca chega”, contou Danilo.
Servidores são suspeitos de vender vagas na fila da rede pública de saúde
Divulgação/Polícia Civil
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Prioridade
A investigação apurou que, além da inserção de pacientes, a depender da quantia paga aos operadores do esquema, havia também a modificação da prioridade na fila de atendimento.
Segundo o delegado, a investigação identificou dois perfis de pessoas que pagavam para burlar a fila: pessoas que sabiam da ilegalidade e pessoas que não tinham conhecimento para interpretar que a ação era uma atividade ilícita.
“Se a pessoa entra na fila hoje e para lá na posição 400, 500, o operador conseguia que ela fosse atendida de maneira bem breve, indo para a posição 20, e em poucos meses era atendida”, disse.
Nota Secretaria de Estado da Saúde de Goiás
A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) informa que a identificação das irregularidades ocorreu a partir do trabalho de inteligência da própria pasta, com base no monitoramento contínuo do sistema de regulação.
A SES-GO destaca que contribuiu de forma ativa com as investigações, repassando às autoridades competentes todas as informações necessárias para o avanço das apurações.
A Secretaria esclarece que não há envolvimento de servidores da regulação estadual nas investigações.
A pasta destaca ainda que não compactua com práticas ilegais e informa que a atual ação é um desdobramento da Operação Hipócrates, deflagrada em 2023, quando a SES também cooperou com a Polícia Civil.
Notas
Prefeitura de Goiânia
A Secretaria Municipal de Saúde (SES) informa que está à disposição da Polícia Civil para colaborar com as investigações relacionadas à operação Mercancia Torpe, que investiga fraude na regulação médica.
A SMS esclarece que a sede da regulação municipal não foi alvo da operação deflagrada nesta terça-feira (7/4), e reafirma seu compromisso com a transparência e com a legalidade das ações dos agentes públicos.
São Luiz do Norte
O Município de São Luiz do Norte esclarece que, sobre a operação da polícia civil relacionada a possíveis fraudes no sistema de regulação médica, conforme as informações divulgadas, o que existe é a indicação de envolvimento de um cidadão residente no município.
Não havendo, até o momento, nenhuma confirmação de participação de servidores públicos municipais ou de profissionais da Secretaria Municipal de Saúde nos fatos investigados.
A Administração Municipal permanece à disposição das autoridades competentes e reafirma seu compromisso com a legalidade e a transparência.
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